Sobre Isadora Calil

Formada em Relações Internacionais pela PUC-SP e atualmente cursando Pós - Graduação em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, Isadora Calil é escritora, jornalista e tradutora freelancer. Profundamente inspirada por grandes nomes da literatura: Virgínia Woolf; Walt Whitman; Guimarães Rosa; J.M Le Clézio; etc.

Setembro é mês de literatura na Pauliceia

Preparem-se! Entre os dias 19 e 22 de setembro, o centro de São Paulo será palco do Pauliceia Literária.  

Falamos há algum tempo sobre o Paulicéia Literária, evento organizado pela Associação do Advogados de São Paulo. Christina Baum assina a curadoria e a diretoria do evento.

A efervescência literária acontecerá no centro da capital paulista e reunirá 34 escritores, brasileiros e estrangeiros, entre os dia 19 e 22 de setembro.

Além das mesas, uma oficina literária será ministrada  pelo escritor e professor da Faber Academy, Richard Skinner, no dia 21, das 11 às 14h (clique aqui para mais informações).

Em 2013, o Pauliceia coloca como Autor em Foco a romancista Patrícia Melo (O Matador, Valsa Negra etc.). A autora terá uma mesa separada no dia 20 de setembro, 11h da manhã, no teatro Eva Herz -situado  na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. O tema abordado será o ofício da escrita.

O valor dos ingressos para as mesas da festa literária é de R$32 (inteira) e R$16 (meia). Eles já podem ser comprados no www.pauliceialiteraria.org.br 

Abaixo, a programação completa do Pauliceia Literária:

– Local: auditório e salas da AASP –

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

19h. Mesa 1. Abertura – Autor em Foco – Uma visão crítica da obra de Patrícia Melo. Mediador: Manuel da Costa Pinto TS

Desde o final dos anos 1990, os romances, contos, roteiros e peças teatrais de Patrícia Melo são considerados, pela crítica especializada, algumas das principais obras latino-americanas publicadas no mundo. Qual é a relevância da obra da autora no cenário literário brasileiro atual? Quais os romances que marcam a obra da escritora? Na abertura do Pauliceia Literária 2013, Manuel da Costa Pinto, um dos principais críticos e ensaístas do Brasil, analisa a obra de Patrícia Melo e discute com a autora a evolução e o significado de sua trajetória.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

9h30 Mesa 2. As Letras da Lei – José Alexandre Tavares Guerreiro e Miguel Reale Júnior. Mediador: Pierre Moreau

Afinal, quantas histórias um homem pode colecionar? E quantas delas podem escapar das tramas do amor e da arte, da morte e da verdade, da memória e da saudade, do juízo e da loucura? Os escritos de 12 renomados advogados e juristas brasileiros estão reunidos na recém-lançada coletânea de contos As Letras da Lei. Pierre Moreau, um dos contistas e organizador da coletânea, conversa com José Alexandre Tavares Guerreiro e Miguel Reale Júnior sobre a importância da literatura na formação de um advogado.

11h Mesa 3. Ignácio de Loyola Brandão conversa com Eros Grau

Dois homens das letras. Um jornalista e escritor, Ignácio de Loyola Brandão. Um jurista e escritor, Eros Grau. Os dois em um bate-papo em que a pauta é a própria conversa e os caminhos inesperados que ela toma, unindo uma gama de assuntos, que podem ir da alta literatura ao futebol, passando pelo Direito. Temas sugeridos pelo público, via internet, e posteriormente depositados em uma urna, serão sorteados para a conversa entre os dois autores.

13h Mesa 4. O apocalipse das vacas – Juan Pablo Villalobos e Valter Hugo Mãe. Mediador: Marcelino Freire

Juan Pablo Villalobos e Valter Hugo Mãe debatem questões de narrativa e linguagem, humor e ritmo presentes em seus últimos romances: O apocalipse dos trabalhadores, um relato da classe operária, e Se vivêssemos num lugar normal, a história de uma cidade onde há mais vacas do que pessoas e mais padres do que vacas. Tudo com muito humor.

15h Mesa 5. Literatura e cinema – Philippe Claudel e Richard Skinner TS

O estabelecimento do cinema como uma das artes narrativas se deu com a adaptação de obras literárias para a tela. Ao longo do século XX, o cinema adquiriu linguagem própria e independência artística. Philippe Claudel, escritor, roteirista e cineasta francês, e Richard Skinner, escritor inglês e professor de oficinas literárias, debatem as características que separam a linguagem narrativa do cinema e da literatura, os pontos em comum entre as duas artes e a diferença da autoria em uma e outra. A conversa será ilustrada com trechos do filme Há tanto tempo que te amo, de Philippe Claudel.

17h Mesa 6. Cena do crime – Luís Francisco Carvalho Filho, Raphael Montes, William Landay. Mediador: Leonardo Sica TS

Os paralelos entre os crimes na realidade e na ficção. As formas de investigação criminal na vida real e na ficção. Como a realidade influi na criação literária? De que maneira a tecnologia e os problemas do mundo contemporâneo, como o cyberbullying e as “redes da morte” na internet, estão representados na ficção policial? Como interagem pais e filhos nos tribunais da realidade e da ficção? Autores policiais de diferentes gerações e locais – William Landay e Raphael Montes – debatem com advogados criminalistas esses paralelos criminológicos da realidade e da ficção.

19h Mesa 7. Advogado, profissão: escritor – Scott Turow. Mediador: Arthur Dapieve TS

O escritor Scott Turow, que se iniciou profissionalmente como advogado e procurador em Chicago, investigando casos de corrupção, conversa com o jornalista Arthur Dapieve sobre sua obra ficcional, na qual se destacam livros como Acima de qualquer suspeita e O inocente, ambos adaptados para o cinema. Qual a relação entre sua ficção e o Direito? Como foi o processo de se tornar um escritor? A conversa também abarcará a militância do autor pelo fim da pena de morte.

sábado, 21 de setembro de 2013 Continuar a ler

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Peça “Eu Não dava Praquilo” estreia amanhã no CCBB-SP

Com roteiro e interpretação de Cassio Scapin, o monólogo homenageia a atriz Myrian Muniz e o ofício teatral.  

Dia 12/07, estreia no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) a peça Eu não dava Praquilo. O ator Cássio Scapin interpreta a grande atriz e diretora Myrian Muniz num monólogo cômico dramático que leva ao público toda a intensidade da vida profissional e pessoal da retratada.

Imagem: Jordão Caldas

Imagem: Jordão Caldas

Para Scapin, falar em teatro no Brasil sem citar Myrian Muniz é impossível. A forma como a atriz concebia a vida e o ofício do ator ficava clara a cada passagem pelos palcos.

O espetáculo pretende também homenagear a expressão teatral em si e a capacidade dela de transformar a sociedade e a cultura.

A montagem é assinada por Cassio Scapin e Cássio Junqueira. A direção é do premiado Elias Andreato (prêmio APCA, Shell e Apestesp de melhor ator por O sexo dos anjos, de 1990). Figurino e cenografia por Fábio Namatame.

 Sobre Myrian Muniz

Nascida em 1931, a paulistana Myrian Muniz inicia sua carreira em 1961 na peça  A bruxinha que era boa, de Maria Clara Machado.

Durante os anos 60, foi dirigida diversas vezes por Augusto Boal. Em algumas interpretações pôde explorar seu lado cômico como em A mandrágora, de Maquiavel; e O Tartufo, de Molière (1964).

Atuou também na televisão. Um dos papéis de maior destaque foi em Nino, o italianinho, novela da TV Tupi de 1969.

Em 1974, funda ao lado do marido Sílvio Zilber, Roberto Freire e Flávio Império a Teatro-escola Macunaíma, centro referência na formação de atores até os dias de hoje.

Myrian Muniz foi também reconhecida diretora teatral,  ofício ao qual se dedicou inteiramente a partir dos anos 80.

Na direção de shows, foi responsável por espetáculos como Falso Brilhante (1975),  ponto de inflexão na carreira de Elis Regina.

Falece em 2004, aos 73 anos.  (Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural)

Serviço

Eu Não Dava Praquilo

Local: Teatro do CCBB SP
Endereço: R. Álvares Penteado, 112, Sé, São Paulo/SP CEP: 01012-000
Data: De 12 de julho a 23 de setembro
Horário: Sábado às 20h, domingo às 19h e segunda às 20h
Preço: R$6,00 inteira e R$3,00 meia entrada

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: 16 anos
Ingressos: venda pelo site www.ingressorapido.com.br e na bilheteria do CCBB
Estacionamento: Estacionamento conveniado Estapar – Rua da Consolação, 228 (Edifício Zarvos) – R$ 15,00 pelo período de até cinco horas, com transporte de van grátis até a entrada do CCBB. Necessário carimbar o tiquete na bilheteria do CCBB.

5

Quando eu for reticência,

Leia The song of the open road.

Mentalize crianças febris.

Pendure pares de tênis nos fios elétricos.

Observe Quaresmeiras.

 

Quando eu sumir da foto,

Cante Layla.

Tome uma dose de Pedra 90.

Vire uma estrela no meio da praça.

Ria alto depois das dez.

 

Quando eu virar pó,

Deixe o vento passar entre os dedos.

Desenhe carinhas no vidro embaçado.

Arranje terapeutas no bar.

Entoe o Om Tare Tam Soha.

 

Quando eu for um ponto cinza no asfalto,

Sente sobre uma pedra e rabisque um bloquinho.

Pense em aforismos.

Busque os resquícios.

Desconfie dos superlativos.

 

Quando eu for um elemental,

Tome banho de esguicho.

Faça fogueira no quintal.

Despreze  sinédoques.

Seja o infinito.

 

 

 

 

Em coletiva, AASP divulga lista de escritores que farão parte do Pauliceia Literária

Primeira edição do Pauliceia Literária trará, em setembro, um diálogo entre Literatura e Direito. Ao todo, treze escritores estão confirmado para as mesas.

A Associação de Advogados de São Paulo (AASP) divulgou hoje, em coletiva de imprensa, os nomes dos 13 escritores que comporão a programação do Pauliceia Literária.O festival marca as comemorações dos 70 anos da AASP e acontecerá entre os dias 19 e 22 de setembro, na sede da entidade no centro de São Paulo.

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O destaque do evento, nomeado pela curadoria como ‘Autor em Foco’, vai para a escritora brasileira Patrícia Melo. A autora de títulos como O Matador, Valsa Negra e Água Tofana  abrirá o evento na noite do dia 19 de setembro. Segundo Luís Carlos Moro, diretor cultural da AASP, a escolha de Melo se deve tanto pela interface que as obras dela tem com o Direito quanto pelo talento literário notável.

A escritora oferecerá durante o festival oficina literária para advogados interessados em Literatura. O valor ainda não foi divulgado.

A curadoria, chefiada por Christina Baum, convidou ao todo 13 escritores com obras que tangenciam a área jurídica. Os destaques vão para o ganhador do Grande Prêmio Portugal Telecom, Valter Hugo Mãe (Portugal); o francês  Philippe Claudel; o inglês Richard Skinner – que também oferecerá uma oficina literária-  e os brasileiros Maria José Silveira; Michel Laub e Tony Bellotto. (lista completa abaixo)

Algumas mesas e seus temas já foram divulgados. Uma delas, nomeada “Mesa Lygia Fagundes Telles”, será formada por escritoras mulheres e advogadas. Outra, composta por Richard Skinner e Philippe Claudel, abordará questões ligadas ao cinema.

Christina Baum, que mora na Inglaterra, notou que neste país há mais de 330 festivais de Literatura,  e que o Pauliceia Literária tem a intenção de adensar o calendário cultural brasileiro, somando-se a grandes eventos como a FLIP, Balada Literária, Fliporto etc. 

Outro ponto são os clubes do livro que acontecerão de maio até setembro e objetivam fomentar o hábito da leitura entre os brasileiros. Baum colocou que na Inglaterra os ‘book clubs’ são uma febre tão grande que as editoras já lançam livros com tópicos para debate.

A Livraria Cultura será a livraria oficial do evento e algumas das leituras dos grupos serão realizadas em suas lojas. Outras acontecerão na sede da AASP.

O  valor do investimento feito no Pauliceia não foi divulgado, mas Sérgio Rosenthal, Presidente da AASP, sublinhou que os recurso para a realização do evento vieram exclusivamente da Associação, “dentro das possibilidades da entidades, que não são pequenas”.

O site do Pauliceia Literária já está no ar e pode ser acessado aqui.

A programação completa será lançada na primeira semana de agosto e a venda dos ingressos começa no dia 19/08. 

Lista completa de autores:

Patrícia Melo

Juan Pablo Villalobos (lançará o livro E se vivêssemos em um lugar normal durante o evento)

Miguel Sousa Tavares

Valter Hugo Mãe

Phillipe Claudel

Richard Skinner

Scott Turow

William Landay

Alberto Mussa

Laurentino Gomes

Maria José Silveira

Michel Laub

Tony Belotto

Um novo tempo para a cultura paulistana?

São Paulo mais do que nunca precisa de uma política cultural inclusiva e eficiente. Em que ponto estamos? O que esperar do novo Secretário da Cultura, Juca Ferreira?

Welington Andrade, Vice- Diretor e docente da Faculdade Cásper Líbero, é o entrevistado da vez e ajuda os interessados em cultura a entender o momento paulistano.  Para ele, “há muito tempo, a área da cultura foi dominada pelo mundo corporativo”.

Wellington Andrade é vice- diretor da faculdade Cásper Líbero.

Wellington Andrade é Vice- diretor e docente da Faculdade Cásper Líbero.

A(o)B: Em artigo na revista Carta Capital, Vladimir Safatle foi categórico ao dizer que São Paulo não dispõe de uma política cultural sólida, e se tornou refém de estratégia de marketing de empresas que patrocinam eventos nesta área. Você concorda com esta afirmação?

Welington Andrade: Concordo integralmente. Há muito tempo, a área da cultura foi dominada pelo mundo corporativo, mais preocupado em patrocinar eventos instantâneos, de grande exposição publicitária, do que em fomentar a criação de projetos a médio e longo prazo e de equipamentos permanentes.

 A ‘culpa’, por assim dizer, de um circuito cultural restrito deve ser atribuída apenas a políticas públicas ou poderíamos responsabilizar os cadernos culturais dos grandes veículos por circular uma parte ínfima da programação da cidade?

 Eu não falaria em “culpa”, nem em “responsabilidade”, tratando a questão, antes, como falta de ousadia. De um lado, o poder público não consegue tomar para si a tarefa de administrar com eficiência a cultura; de outro, a grande imprensa está pautada sempre pelos mesmos assuntos: o cinema de ação, os musicais importados, as megaexposições, a mais recente telenovela “revolucionária”…

Em novembro do ano passado, a Folha de S. Paulo criticou em editorial a proposta do plano de governo de Haddad que visa construir na capital dois centros culturais nas zonas leste e sul. O jornal destaca que as propostas para a cultura são mais realistas quando pretendem investir em equipamentos já existentes, como os CEUS. Além disso, o editorial sugere que os centros seriam quase uma redundância, tendo em vista que a linha de atuação deles seria muito próxima a do SESC – que já marca presença nas periferias paulistanas. Você vê nisso um argumento equilibrado ou há conservadorismo?

 São Paulo tem um déficit muito grande de equipamentos de cultura, esporte e lazer. Deste modo, creio que, quanto mais centros culturais forem construídos na cidade, melhor.

Como você recebeu a nomeação de Juca Ferreira, ex-ministro do MinC (2008-2010), para a Secretaria de Cultura do município? Pareceu um nome forte para assumir uma pasta com tantos desafios?

Considero Juca Ferreira um profissional sério e capacitado. Trata-se de um homem público que defende uma “poética da cultura”, genuína e empenhada. E essa postura me enche de esperança quanto à sua gestão.

 

 

Peça “Bette Davis e Eu” inicia temporada no Teatro Renaissance

1985. A cidade de Weston, Connecticut, vive  mais um verão. Os outros habitantes, talvez. A escritora Elizabeth Fuller definitivamente não.

No dia seguinte a  um jantar  com uma amiga,  Fulller recebe um telefonema. Quem estaria na outra ponta? Ninguém menos do que Bette Davis,

Mrs. Bette Davis explica que uma greve nos hotéis nova-iorquinos e a viagem da amiga para o Maine a deixaram sem um lugar confortável para acomodar-se. Então, ela estava ligando para Elizabeth para pedir abrigo “por uma noite. Talvez,  duas”.

Ter como hóspede uma grande dama do cinema norte-americano por um dia seria um privilégio para qualquer mortal. Mas, imagine… um mês!

Bette Davis e eu (“Me and Jezebel”), em cartaz desde sexta-feira (05/03) no Teatro Renaissance, traz a hilariante e tocante convivência doméstica entre a escritora Elizabeth Fuller (Flávia Garrafa) e Bette Davis (Wilson de Santos). Bette davis

A tradução do escritor  Reinaldo Moraes atomiza a força e o sarcasmo de Mrs. Davis, com direito a falas consagradas da grande diva. De A Malvada para o topo da escada de Elizabeth Fuller: ‘Apertem os cintos. Será uma noite agitada’.  De  Além da Floresta, ‘Que espelunca!’.

A relação entre as duas é complexa: do endeusamento absoluto aos atritos rotineiros, especialmente os originados do incomodo de John Fuller, o marido, com a longa permanência de Davis na casa.

O vínculo e a intimidade vão se tornando cada vez maiores. Em vários momentos Elizabeth liga a figura da diva a de sua “vó –mãezinha”, morta há 14 anos. A lembrança dos dias em que vó e neta assistiam aos filmes de Davis e  colecionavam fotos autografadas da atriz estão presentes quando fã e estrela dividem o sofá para assistir à tevê.

Do outro lado, Mrs. Davis também vai se deixando tocar, mas claro sem perder a pose e o tempo de suas piadas, normalmente finalizadas por uma risada contagiante. O envolvimento dela com os Fullers fica claro nos diálogos com o pequeno Christopher, de quatro anos, que para desespero do pai vai se transformando numa Bette Davis em miniatura, com falas cortantes e  mal- educadas.

Em cena estão apenas Wilson de Santos e Flávia Garrafa. Esta tem que ter agilidade durante todo o espetáculo para conseguir interpretar os outros personagens– o marido; o filho e até uma mulher cristã -carinhosa que Fuller entrevista para o novo livro – e narrar a história.

As mudanças de papel e o ritmo rápido da narração, às vezes, levam a alguns tropeços nas falas. Mas nada que tire o brilho da produção. Os atores conseguem passar ao público a beleza e a emoção de uma convivência tão incomum. Bette Davis e eu conta o mês em que uma diva solitária e uma escritora que acreditava em magia dividiram o mesmo teto.

Serviço:

Bette Davis e eu (“Me and Jezebel”)

Atores: Wilson de Santos e Flávia Garrafa

Direção: Alexandre Reinecke

Teatro Renaissance – Al. Santos, 2.233

Dias e horários: Sexta 21:30h; Sábado 21h  e Domingo 18h.

Valor do Ingresso: R$60

Onde comprar: na bilheteria ou pelo Ingresso Rápido.

Há tantos amores quanto há mães

Eu não me considero uma pessoa das mais observadoras. Tenho amigos  que conseguem escanear uma paisagem em menos de 5 segundo e descobrir, no mínimo, 5 detalhes e excentricidades nela.

Dito isso, o causo que vou contar tem a ver com a minha forma de observação do entorno, que é mais do tipo ‘a classe média sofre’; ou seja, aquela em que algo tem que invadir o meu pequeno universo de forma agressiva para ser notado.

Para encurtar a prosa, vejam vocês o que aconteceu: flanando pelas calçadas do  centro histórico de São Paulo, fui surpreendida numa esquina ao ser quase atropelada por um carrinho de bebê.

Não que isso nunca tenha acontecido, sendo eu a pessoa mais zigue – zagueante possível que já trilhou qualquer calçada do mundo. Dessa vez, no entanto, foi diferente, porque o tal carrinho e a condutora dele poderiam ser uma manchete atraente para qualquer jornal, com direito a uma boa linha fina:

Colisão entre jornalista e carrinho transportando par de perninhas gordotas gera confusão na calçada da Duque de Caxias.

Fones de ouvido e música alta, mulher conduzia furiosamente carrinho de bebê pelo centro de São Paulo.

A mulher, que mais parecia uma rave ambulante, andava a passos largos e febris, apesar do salto alto. Restabelecida do susto e quase ‘crash’, pude ouvir passinhos apressados e, poucos centímetros abaixo do meu campos de visão, um topinho de cabeça. Reajustando o foco, os tais passinhos se transformaram numa cabeleira morena,  presa num rabo de cavalo e enfeitada com uma faixa preta com bolinhas brancas, que tentava alcançar a adulta logo à frente.

A soma dos três fatores deu como resultado uma mãe que levava os filhos para algum lugar (pela mochilinha que a pequena carregava nas costas e o horário, a escola seria o endereço mais provável).

O meu estranhamento em relação à suposta mãe , ou personificação da  ‘presença da ausência’, como pensei, me fez recorrer ao meu banco de dados cognitivo para julgar aquela ‘progenitora estranha’.

A minha indignação com a mulher dos fones de ouvido veio do choque entre duas formas diferentes de se relacionar com a cria – a dela e a da minha mãe, cuja ascendência libanesa e italiana não permite que qualquer filho pequeno saia de um raio de 15 cm do seu campo de visão numa rua movimentada.

Passado o primeiro momento, numa reflexão mais pausada durante o banho do dia seguinte, me pareceu que não era só a minha criação o subsídio para a avaliação; mas sim um julgamento baseado no que se espera de uma mãe – como se esta fosse uma entidade ou serviço público e não um ser autodeterminado numa  fase qualquer da vida.

Há, sim,  na sociedade uma noção  de que mães são instituições que devem oferecer segurança à prole,  a qual um dia será um exército de mão de obra para a economia nacional; renovação do estoque de  progenitores e elos da corrente social.

E mais – já diriam burocratas e expertos do comportamento humano – a função social  da mulher é ser mãe, como se toda criatura do sexo feminino nascesse com um chip implantado, etiquetado como ‘instinto materno’, e um manual de instruções.

Teria sido um ideal materno que pulsa no inconsciente coletivo o responsável por me fazer abominar aquela cena?

Batendo o martelo, quando já secava o cabelo,  toda a questão foi  reduzida a uma pequena alteração  da máxima  tolstoiniana- há  tantos amores quanto há mães.