Vinícius Jatobá fala sobre o Fim de Semana do Livro no Porto (FIM)

A cena literária brasileira ganha mais um festival literário. A novidade é o Fim de Semana do Livro no Porto, que promete chacoalhar a zona portuária do Rio de Janeiro, nos dias 20 e 21 de Outubro.

Idealizado pelo escritor e editor Raphael Vidal, a festa levará ao Morro da Conceição uma programação que pretende discutir literatura, jornalismo, mídias digitais e os rumos da cultura no Rio de Janeiro, além de propor uma apropriação e vivência do espaço da comunidade anfitriã.

Com curadoria geral de Vinícius Jatobá (que já passou por aqui), os dois dias do FIM unirão nomes de peso como Ruy Castro, Paulo Lins e Sergio Cabral – para citar apenas alguns -, em bate -papos leves  e inspirados ao redor da boa e velha mesa de bar.

Para saber mais sobre a proposta do FIM, o Aperte o Botão pediu ao ilustríssimo curador da festa que falasse um pouco sobre a escolha do Morro da Conceição como palco para o evento; os desafios que enfrentou à frente da curadoria  e o momento por que passa a cena literária carioca.

Vocês podem conferir o resultado da nossa conversa nas próximas linhas.

Preparem-se: O FIM está próximo!

A(O)B: De maneira geral, qual é a proposta do Fim de Semana do Livro no Porto (FIM)?

Vinícius Jatobá: O FIM começou como um desejo bastante convencional de festa literária para logo em seguida se tornar uma proposta de experiência com a cultura do Rio de Janeiro por meio do universo do livro. Ficou muito claro que deveríamos usar as conversas, que ainda são um elemento importante na festa, como uma forma de estimular a experiência de visita ao Morro da Conceição, e daí partimos para uma programação musical mais integrada com os temas da festa, oficinas que ocupem uma parte do espaço do morro e, principalmente, a abertura entusiasmada dos ateliês de artistas da região.

Pensamos em propor o FIM como o início de um trabalho de diálogo do Rio de Janeiro com seu centro e região portuária, e daí a ideia de publicar um livro explorando por meio de contos o imaginário do porto e centro da cidade, sua história, assim como o pontapé inicial de um instituto que terá oficinas de arte e uma biblioteca pública e fará também capacitações em assistência de produção para jovens da região.

Dessa feita, nós vemos o FIM como um projeto permanente de discussão e debate da história cultural do Rio de Janeiro e da maneira como podemos pensar o futuro da cidade com um pé em sua tradição local e cosmopolita. E para isso seguiremos provocando essa conversa com encontros mensais com escritores e artistas plásticos e historiadores.

Mais que um público geral que venha e assista as conversas, nós do FIM queremos cúmplices: pessoas que se importem com o Rio de Janeiro e pensem em como seguir adiante nas mudanças urbanísticas que a cidade vem sofrendo trazendo para essas transformações o melhor de nossa tradição cultural reforçada e respeitada, propondo uma ocupação criativa e inteligente desse novo Rio de Janeiro que irá surgir nos próximos anos.

Quanto à escolha pelo Morro da Conceição para realizar o evento, há alguma relação com o novo momento por que as comunidades cariocas estão passando com o estabelecimento das UPPs?

Nenhuma. O que pensamos era em fazer uma festa literária que acontecesse no centro da cidade. Raphael Vidal, que tem esse sonho de festa faz mais de cinco anos, e que tem conversado comigo esse tempo todo sobre essa possibilidade, acordou um dia e pensou: por qual motivo não poderia fazer essa festa que tanto quero justamente no lugar em que moro?

Daí foi tudo muito rápido. Ele me mostrou o projeto e li o projeto reescrito e achei fabuloso, e duas semanas depois ele me chamou e disse que existia a chance concreta de fazer a festa. E logo em seguida o Zeh Gustavo, nosso coordenador musical, se juntou ao projeto e depois o Julio Silveira, que foi coordenador da programação digital, também se juntou ao grupo e nos afinamos em reuniões por dois meses, conversando, até que a festa encontrou um conceito e uma estrutura ideal e colocamos a mão na massa.

Como curador geral sempre frisei um recorte descontraído e hedonista para o evento, que sofreu certa resistência pontual, até mesmo do grupo no início. Mas logo vieram as adesões, já que quando você excluí do horizonte de debates certas obsessões como, principalmente,  violência urbana, um leque de assuntos se abre.

A festa saiu da convencional pergunta-resposta para uma proposta de vivência com o Morro da Conceição. Esse foi o arco da festa do embrião até o que ela será nos dias 20 e 21 de outubro. Antes ela era escondida, não queria incomodar, e agora passou a ocupar todo espaço do Morro e, principalmente, ter uma adesão dos moradores. E para isso, a mente criativa e agregadora do Raphael Vidal foi nossa melhor ferramenta: ele realmente engajou um número imenso de pessoas.

Como curador, qual foi o maior desafio na hora de pensar nos temas que seriam abordados pelas mesas?

Ser curador é uma experiência confusa. Levei mais de dois meses para entender o que um curador realmente faz. Tive uma conversa com o Marcelo Moutinho, que tem ampla experiência com curadorias, e ele me passou várias dicas. Ele foi muito prestativo.

No início existe um debate muito empolgado e até certo ponto birrento para os nomes dos autores. Todo mundo acha que pode fazer uma programação melhor que você, mais interessante, então há muita resistência. E foi tudo muito aberto. Em cada reunião eu propunha nomes e pensava em como abrigar meu desejo com o desejo dos outros membros da equipe porque se eles não acreditam nas conversas não podem se engajar no projeto. Alguns nomes sugeridos eu aderi na minha proposta, foi bastante participativo.

Depois de escolher alguns autores-chaves você começa a tentar entender como as obras deles se encontram. Algo que realmente ajudou muito a entender as mesas foi compreender a capacidade física do espaço. Quando você sabe quantas pessoas cabem no espaço do evento você pondera melhor quais autores são os melhores para aquela estrutura. Depois, você faz uma pergunta. A nossa foi: como pensar o passado e o futuro do Rio de Janeiro por meio dos livros? E daí levantei autores, fui em bibliotecas, livrarias, garimpei, conversei com os outros membros da equipe. E fui encontrando perguntas mais específicas.

A resposta sobre o maior desafio da curadoria é dupla, na verdade. De um lado, tentar ao máximo manter a coerência entre os autores e colocá-los na melhor situação possível para falarem com desenvoltura daquilo que eles melhor conhecem. Aí entram relações pessoais entre os autores da conversa, por exemplo. Ou como suas obras se dialogam.

O outro desafio foi mais tenso: resistir a possibilidade de chamar grandes autores cujas obras não dialogam com o conceito desse primeiro FIM apenas porque eles se dispuseram a vir. Você tem um recorte e, de repente, um grande autor que está fora do seu conceito está disponível e gosta do seu trabalho e se dispõem a vir. Então foi algo que eu tive que escolher fazer para tentar manter a coesão das conversas.

O FIM pretende discutir literatura, jornalismo, mídias digitais e… Rio de Janeiro. Como você avalia a cena literária na cidade da Copa e dos Jogos Olímpicos?

O Rio de Janeiro teve um momento rico, com antologias, com revistas literárias, nos primeiros cinco anos da década passada. O Raphael Vidal, idealizador e coordenador do FIM, editou uma revista muito famosa nesse período, a “Bagatelas”. Mas agora esse momento morreu, essa energia morreu, e creio que a curiosidade pela nova literatura feita no Rio de Janeiro morreu.

Há um retorno da invisibilidade do final da década de 1990, principalmente daquilo que os jovens escrevem. Mas acredito que uma nova onda de renovação irá surgir nos próximos anos. Essa nova geração tem que criar suas próprias revistas. Há novas editoras independentes, uma renovação dos blogs, principalmente de poesia, e a multiplicação pontual de eventos literários, de saraus.

Gostaria que o segundo FIM abrigasse um espaço para que essa onda de renovação ganhe força. Teremos um prêmio literário e o Instituto Fim tem entre seus projetos abrigar escritores, e dar espaço para eles escreverem seus livros. E, principalmente, publicarem seus manuscritos guardados. Isso faz parte do nosso compromisso: fazer essa cidade ferver novamente.

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Entrevista: O crítico literário e escritor, Vinícius Jatobá, conversa com o Aperte(o)Botão.

O Aperte(o)Botão inicia agora uma seção dedicada a entrevistas. Como hub literário que somos, dedicaremos este espaço a todos os profissionais que tem interface com a literatura.

Nosso primeiro entrevistado é o crítico literário e escritor Vinícius Jatobá. Conhecido por suas colaborações para os suplementos literários ‘Sabático’ do jornal Estado de São Paulo, ‘Prosa e Verso’ do carioca O Globo e para revista Carta Capital, Vinícius teve, recentemente,  seu trabalho como ficcionista reconhecido pela edição brasileira da Revista Granta.

Ele figura na lista de 20 escritores com menos de 40 anos considerados pela publicação os novos talentos de nossa literatura.

Vinícius Jatobá é crítico literário e escritor carioca.

Abaixo ele fala um pouco sobre sua carreira como crítico, a escolha para a lista da Granta e o ofício do escritor.

A(o)B : Quando você começou a atuar como crítico literário?

Vinícius Jatobá: Desde 2002, mais ou menos. Escrevi para mídia alternativa em Santa Teresa, que é um bairro carioca muito conhecido pela sua vida artística e boêmia. Meu desejo, muito motivado pela minha admiração pelos escritos de Gabriel García Márquez e Guillermo Cabera Infante, sempre foi ser critico de cinema, mas o jornal tinha espaço para textos sobre literatura e decidi que valia, pela experiência, começar a publicar resenhas de livros que admirava na época. Era um momento em que lia quatro, cinco livros por semana. Logo tomei gosto e comecei um blog chamado “Leitor Compulsivo” que me fez ser relativamente conhecido e por meio do qual alguns editores de suplementos me chamaram para colaborar profissionalmente. Milton Hatoum foi uma figura chave porque ele gostou do que escrevia e decidiu, de forma muito generosa, me apresentar também para alguns editores de suplementos literários, que decidiram apostar no meu trabalho.

 A(o)B: Para você, o olhar do crítico e do artista em relação a uma obra é muito diferente? A sua atuação como crítico interfere muito no seu trabalho como ficcionista?

VJ: Depende muito daquilo que te motivou a escrever crítica. Quando comecei a escrever resenhas achava que os suplementos literários eram super bem-escritos mas completamente duros na linguagem, sem malícia, e então queria fazer algo mais agressivo, mais sinuoso. Então quando escrevo crítica penso sempre que não devo entediar o leitor, é minha única obrigação, que ele deve sentir algum tipo de emoção quando lê o texto, e acho que esse é um ponto de contato com as narrativas que escrevo, o que quero é mover o leitor a sentir algo que ele não está disposto a sentir naquele momento. Recebo mensagens de leitores que dizem coisas completamente emocionais do tipo “li sua resenha e me ajudou a lidar com a morte do meu cachorro”. Foi uma resenha de um livro belíssimo do Banville chamado O mar que começava assim, “A morte é o pórtico das almas”, demorei dias escrevendo essa resenha. E fiquei satisfeito com a emoção do leitor. É o que vale. Mas cada crítico usa seu ofício de forma particular. Não tem uma fórmula.

A maior influência no trabalho de escritor é que você lê os livros com atenção e acaba pensando naturalmente em como eles são feitos. Como se maneja o tempo, o espaço; como se constrói a linguagem; quais são os limites de determinado narrador. Você mede muito atentamente a distância entre o projeto do autor e sua realização. Então acaba que te ajuda a construir uma voz narrativa. No meu caso, foi essencial. Por outro lado, também ajuda a diluir bastante certas figuras do mercado editorial, como o editor. Quando você começa a escrever crítica naturalmente fica mais atento ao que se publica e começa a perceber que os editores são humanos, são falíveis, acertam e erram, e que o tempo da literatura é lento, muitas vezes contraditório. No começo quando um livro meu era recusado, algo que aconteceu dezenas de vezes, passava mal, era uma situação bélica; depois entendi como é difícil para os editores encontrarem bons manuscritos e até saberem quem é realmente bom naquele manancial de material que recebem diariamente. Trabalhar com crítica faz você relaxar. Você pondera, e relaxa. Deixa de ser inclemente com os editores, eles estão em uma posição muito fragilizada. E se aquilo que você faz é bom, um dia chega a sua vez.

A(o)B: Você acaba de ter um conto escolhido pela edição brasileira da revista Granta. Como foi o processo de escrever Natureza – Morta? Você esperava esta recepção ao  seu trabalho quando terminou o conto?

VJ: Era o projeto de um romance que abandonei porque estava muito palavroso. Não se chamava Natureza-Morta. Tinha outro nome: Vozes de Família. Que é o nome de uma peça do Harold Pinter devastadora, linda. E abandonei porque estava sem norte, parecia interminável. Abandonei vários romances. Um tinha o nome absurdo de Quando Tudo Nada. Era sobre um homem lidando com a morte súbita de um vizinho e a culpa porque acredita que poderia ter feito algo para evitar. Mas o título, convenhamos, é muito ruim. Outro se chamava Asfalto e era sobre a violência do tráfico de drogas no subúrbio. Escrevi um chamado Afinidades Eletivas, um livro erótico. É um gênero que me interessa muito, literatura erótica. Livros policiais e pornográficos são aqueles que mais me fascinam atualmente. Hoje consigo compreender melhor alguns sentimentos envolvidos nessas narrativas que abandonei. A técnica estava lá, mas a compreensão dos sentimentos me escapava. Mas se você está escrevendo sobre algo que pode escrever não está forçando sua imaginação o bastante, é minha forma de ver o trabalho literário. Tem que existir algum tipo de exploração, desconforto.

Sempre admirei e apreciei muito arte, pinturas, minha monografia de sociologia da arte foi sobre Paul Gauguin, e um gênero que amo é a natureza-morta. Então estava vendo um catálogo sobre o gênero e tive um estalo: poderia trabalhar toda uma época como o pintor escolhe os elementos para dispor sobre a mesa em uma natureza-morta. E o conto tomou forma. Há por trás do conto muito de Faulkner e Woolf, principalmente Ao Farol. E, claro, esse inclassificável As Ondas. Se você ler a parte “O tempo passa” de O Farol está ali tudo que tentei fazer com “Natureza-Morta”. O fato feio sobre livros é que livros sempre nascem de outros livros. Quando li o edital da Granta cortei metade do conto para encaixá-lo no que pediam e enviei. Fiquei surpreso que tenham aceito meu texto para entrar na antologia. Ainda mais sendo um fragmento dele. Duas das partes mais devastadoras, a epidemia de meningite no subúrbio carioca, que acho que merecia por si só uma estória separada, e o confuso dia do golpe militar que ficou, em “Natureza-Morta”, junto do lendário discurso de Goulart aos trabalhadores, um dos momentos mais bonitos e essenciais da nossa história recente, essas partes ficaram de fora. Tenho algumas decisões a fazer.

Sempre tive uma confiança agressiva no meu trabalho; no entanto, como crítico literário, tive o prazer de ter contato com textos de dezenas de bons autores jovens brasileiros e estaria mentindo se dissesse que acreditava que entraria na Granta. Fiquei surpreso demais com a minha seleção. Foi um dos dias mais importantes da minha vida, e não é exagero. É um privilégio ser escolhido pelo juri da Granta, algo que justifica todos esses meus anos de trabalho.

A(o)B: Como foram as críticas ao seu conto e à antologia de maneira geral?  Ficou satisfeito?

VJ: Tenho recebido muitos cometários emocionais ao meu conto, que é o que esperava. Alguns amam, outros odeiam, mas o importante é gerar alguma emoção. É a única coisa que desejo quando escrevo: emocionar, desestabilizar, provocar. É claro que é interessante passar para o outro lado e ser lido. Tem uma turma que não leu e não gostou, e tem gente magoada, tem de tudo; mas há algumas surpresas, escritores que jamais imaginei que soubessem meu nome e que mandaram mensagens.

Quanto ao que falam especificamente os críticos literários sobre o livro não acredito que seja da minha competência questioná-los. Faz parte do jogo. Mesmo quando é malicioso e sinistro, como tem sido o caso em alguns poucos cometários, não acredito que seja da minha alçada defender o livro. Até mesmo porque como crítico nunca escrevo para o autor e sempre para um público geral. Então não é uma carta direta e endereçada ao meu trabalho que o crítico faz ao escrever sobre a Granta, mas sim algo mais nobre, quero acreditar, um debate cultural amplo, fundamentado.

A(o)B: Na sua opinião, a literatura é uma arte difícil e solitária como colocam alguns escritores?

VJ: Literatura é uma arte complexa porque chega um momento em que os sentimentos ou são muito diferentes daquilo que você está habituado a sentir ou te levam para algum espaço emocional que você não gostaria de visitar mais. Contudo, escrever prosa é uma atividade magnífica. Tentar equilibrar sentido, emoção, ritmo e som, construir esse fraseado emocional, é um prazer infinito. Quando escrevo não sinto o tempo passar. E sou um estudante. Quero melhorar, melhorar sempre. É um processo sem fim.

A(o)B: Muitos autores ambicionam ter um romance publicado, e , de preferência, na lista de mais vendidos.  Para você, todo o escritor é um romancista em potencial ou existe uma forma literária mais adequada a cada voz?

VJ: O que existe é que cada estória tem uma linguagem própria e principalmente uma duração particular. Penso que o que difere um romance de uma novela é algo muito simples: no primeiro se fala mais do que se cala, e no último se cala mais do que se fala. O que determina é a sapiência do narrador, o que ele pensa, é isso que determina a duração da voz dele.

Nesse caso tem uma escritora que me ajudou muito a entender como poderia explorar meu talento: Alice Munro. Cada conto de Munro é como se fosse um romance, cada parágrafo possui força e densidade e concentração, e quando li Alice Munro me senti muito liberado de toda pressão que sentia para escrever um romance. Pensei: o que importa é a sapiência. O que essa estória sabe sobre o que nós somos, e quando você pesquisa isso percebe que o número de páginas não tem a menor importância. Um bom editor vai saber encontrar uma forma de fazer com que essa narrativa encontre seu melhor formato livro; o editor ruim, que pensa em número de páginas, esse não sabe nada da vida.

E para terminar acredito que não há nada de errado em um livro ser bem vendido, ao contrario: é desejável que ele alcance o maior número possível de pessoas, sem discriminação, toda e qualquer pessoa. Em edições bonitas ou vagabundas, não importa. Você passa incontáveis horas trabalhando em algo e é natural que deseje ser lido de forma ilimitada por uma legião de leitores. É completamente estranho pensar o contrário. Não faz o menor sentido. Livros deveriam ser patrimônio de todos, com acesso rápido, barato e ilimitado. Adoraria que no Brasil existissem edições vadias de papel-jornal. Sou apaixonados por elas. E antes que achem isso horrível, quando estive em NY estudando cinema vi Roth, DeLillo, Franzen e Morrison, quatro peso-pesados, em edições assim, custando míseros 4 dólares, algo que me emocionou bastante porque qualquer um pode ter acesso a esses autores, e é um privilégio escrever em um país em que livros não são tratados apenas como artigos de luxo. Você atende leitores que vão dos 30 dólares aos 4 dólares, sem discriminação, o que é o supra-sumo da democracia.